O bibliotecário da presidente: livraria

Para ser bem sincero, não chegamos a ir na livraria do Zeca naquele dia. Aquele sentimento de que tinha rolado alguma coisa a mais entre a Fernanda e eu se confirmou quando cheguei em casa.

Eu moro na Asa Norte aqui em Brasília, perto da Universidade de Brasília – UnB, na quadra 410. Quando cheguei no meu prédio, Fernanda já estava lá embaixo me esperando. De calça jeans rasgada, camisa do Cartola, óculos escuro de aros redondos e um cigarro na mão. Não tinha notado que ela fumava. Lembro de ter achado ela particularmente bonita.

Subimos os 3 saltos de escadas, eu estava falando pelos cotovelos sobre a breve conversa com a presidenta e sobre o trabalho que eu ia fazer. Fernanda só ouvia. Chegamos! “Mi casa es su casa”!

– Fê, senta ai no sofá, fica a vontade. Vou tomar um banho e já volto.

– Poxa, nem chama!

– Hã?

– Brincadeira!

– Engraçadinha!

Após alguns minutos, saí do banheiro ainda de toalha na cintura. No caminho para meu quarto, vi que Fernanda estava dando uma olhada na minha coleção de CDs. Não disse nada, fui para o quarto me vestir e quando voltei para sala, Fernanda estava colocando um disco do Willie Nelson.

– Posso ouvir?

– Claro!

– Não sabia que você gostava de country americano.

– Não gosto de música nova, tudo que eu ouço é da época em que nem era nascida!

– Realmente, as coisas do seu tempo são muito ruins!

Ficamos rindo e falando mal dos nossos gosto musicais. Precisávamos almoçar, mas senti que a atmosfera estava muito boa para comer fora. Resolvi fazer uma comida pra gente. Fernanda sugeriu que abríssemos um vinho. Pedi para ela escolher um na dispensa.

– Que tal esse? Edna Valley, Pinot Noir?

– Ótima escolha e vai combinar com a comida que estou preparando.

– O que você vai fazer? Quer ajuda?

– Fica tranquila, sou chef nas horas vagas!

– Ah! Tá bom! Fala o que você vai fazer!

– Lombo suíno ao molho de frutas vermelhas.

– Uau! Sério que você vai fazer isso?

– Depois que me formei, fiquei um tempo desempregado, trabalhei de ajudante de cozinha pra pagar as contas.

– Que legal! Depois quero ouvir essa história direito!

Passamos a tarde toda conversando, comendo e bebendo. Esqueci completamente de ir na livraria. Fernanda também não lembrou. Descemos pra dar uma volta na quadra. E ai sim conversamos sobre trabalho. Contei as ideias que tive e perguntei a opinião dela. E ela foi bem sincera ao dizer que eu precisava me atualizar o mais rápido possível, ela falou que a presidenta é uma pessoa muito exigente e que eu não poderia demonstrar insegurança.

Fiquei ainda mais nervoso ao saber disso, mas já que estávamos no tópico trabalho, pedi pra ver as fotos que Fernanda tinha tirado da Dilma no dia anterior. Fiquei impressionado com o trabalho dela, não era nada jornalístico, como eu pensava que seria, pelo contrário, cada foto parecia uma obra de arte. Fiquei apaixonado pela veia artística da Fernanda.

Tivemos uma tarde muito produtiva, exceto pelo fato de não termos feito o que havíamos combinado. Rimos disso e antes de ir embora Fernanda perguntou o que ela precisaria fazer pra eu perceber que ela estava interessada em mim. Achei que ela estivesse brincando de novo, sempre fui muito lento pra esse tipo de coisa. Ela riu e disse que dessa vez era sério.

Fiquei sem reação. E por uns segundos, que pareceram uma eternidade pra mim, ficamos em silêncio. Ela riu e me beijou. Eu senti o lábio macio dela na minha boca e senti algo que desde a faculdade eu não sentia. Um sentimento intenso que alguns chamam de paixão. Ficamos um bom tempo nos beijando. Quando interrompemos o beijo e nos olhamos começamos a rir.

Estávamos bobos, parecia um encontro que estava destinado a acontecer. Mas como nunca acreditei muito nesse tipo de romantismo, ignorei essa impressão. Antes de nos despedir nos beijamos novamente e fui deixar ela no carro.

– Que romântico você vindo me deixar no carro.

– Pra você o serviço é completo!

– É, mas faltou a sobremesa!

– Engraçadinha! Dá próxima vez você é quem vai cozinhar.

– Você vai se decepcionar hein!

Já era noite quando Fernanda foi embora. Fiquei horas sem ver meu celular, quando abri tinham várias ligações não atendidas e mensagens. Zeca havia me ligado. Deve ter sido pra perguntar o que aconteceu, tinha dito pra ele que ia passar lá e ia levar um amiga. Como bom solteiro, Zeca ficou todo interessado e disse brincando que se ela fosse bonita não ia cobrar os livros que eu ia levar. Mas fiz questão de deixar claro pra ele que a disputa já tinha começado e que ele já estava em desvantagem.

Zeca levou numa boa, disse pra eu passar lá quando puder. Aproveitei pra fazer algumas encomendas de livros sobre os assuntos que eu ia precisar estudar. Não ia ignorar o conselho da Fernanda e estava decidido a causar uma boa primeira impressão do meu trabalho para presidenta. Alguns livros Zeca já tinha para pronta entrega e outros ele pediu um prazo de uma semana mais ou menos pra conseguir. Todo bibliotecário deveria ser amigo de um livreiro. Nesse caso era ainda melhor, pois Zeca também era bibliotecário e muitas vezes fazia ótimas indicações só perguntando o assunto de interesse aos clientes. Ótimo profissional! O admirava muito por ser inovador e continuar um negócio em um universo onde ele competia com a Amazon, Livraria Cultura, Saraiva e outras grandes do mercado

Terminei meu dia tomando uma segunda garrafa de vinho e lendo um livro sobre redes sociais chamado “Manual de Marketing em Mídias Sociais” de Darren Barefoot. O livro prometia ensinar como monitorar discussões e medir resultados, entre outras coisas de marketing digital. Tudo o que eu precisava saber para começar a analisar as informações que saiam sobre a Dilma.

Estava claro pra mim que catalogação, rede de bibliotecas, atendimento ao público, estudo de usuários e aquisição de livros estavam no passado. Eu precisava aprender muita coisa e rápido. No dia seguinte teria uma reunião com o Cláudio, preparei uma apresentação informal sobre o livro que tinha acabado de ler. Precisava mostrar o que eu estava planejando pra mostrar pra presidente. Se eu tivesse a aprovação dele ia levar o trabalho adiante.

Já era quase meia noite quando recebi uma ligação da Fernanda. Ela estava animada porque ia viajar com a Dilma para uma tour pelo Brasil no dia seguinte. Como a presidenta estava em campanha ela, além de muito ocupada estava viajando muito. Desejei boa viagem e exigi um encontro gastronômico quando ela voltasse. Fernanda riu e prometeu fazer uma refeição completa, inclusive com sobremesa.

Fui tentar dormir mas tive uma crise de insônia. A cabeça estava fritando com ideias. Como armazenar os dados, como demonstrar os números, como fazer a análise das informações e transformar tudo aquilo em conhecimento pra presidenta. Não consegui dormir naquela noite. Não sabia se pensava na Fernanda ou no desafio que estava tendo no trabalho. Parecia que estava tudo acontecendo ao mesmo tempo.

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SEO: uma breve introdução

Estamos vendo cada vez mais novas necessidades no mercado de trabalho. Oportunidades que o bibliotecário pode aproveitar! Uma delas é o especialista em SEO (Search Engine Optimization).

O que é?

Otimização de Sites Para Ferramentas de Busca.

Por que?

Estar em uma posição de destaque nas páginas de respostas dos grandes buscadores é essencial para a divulgação de um site e é com a aplicação das técnicas de SEO que você consegue isso.

Tipos de busca

  • Busca Orgânica: segmento do marketing de busca que trata dos resultados espontâneos nas páginas de resposta dos grandes buscadores como o Google, por exemplo. É nessa categoria que as estratégias de SEO – Search Engine Optimization surgem como forma de divulgação de um site.
  • Links Patrocinados: segmento do Search Engine Marketing que trata exclusivamente dos resultados pagos conseguidos através de ferramentas como o Google AdWords.

O objetivo maior de qualquer estratégia de search marketing é conseguir a maior exposição possível nas páginas de respostas dos sites de busca seja através do processo de otimização de sites ou através de programas como o Google AdWords, os anúncios no Google, e outros oferecidos por buscadores como o Bing.

Cada uma dessas dimensões do marketing de busca, possui um conjunto de técnicas e se aplica a um determinado momento ou situação. Não há como dizer que uma é mais importante do que a outra, pois cada uma é responsável pela satisfação de uma determinada necessidade em termos de marketing digital.

Qual o critério do Google para determinar a relevância de um site ou página?

No estudo de SEO, especialidade do marketing digital que trabalha com estes fatores, concentramos nossos esforços em três princípios:

  • Reputação: conceito técnico que o site tem junto ao Google e envolve questões como estrutura do site, desempenho, segurança e tecnologias aplicadas;
  • Autoridade: relevância que o site possui dentro de um determinado campo semântico e outros critérios de qualidade estabelecidos pelo buscador;
  • Popularidade: medida que expressa o conceito que um site tem junto aos outros sites na Internet, medido pela quantidade de links de qualidade que apontam para ele.

Para entender como o Google classifica os sites é preciso alinhar estes três princípios no sentido de fortalecer o site e dessa forma conquistar as posições de destaques nas páginas de respostas.

Referência

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Concursos públicos abertos com vagas para o cargo de bibliotecário

Lista de concursos públicos abertos com vagas para o cargo de bibliotecário

Lista incompleta? Mande a informação que atualizamos na hora.

IF Sertão Pernambucano PE 27
IFRJ – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro RJ 82
Prefeitura de Lages SC 733
Prefeitura de Sabará MG 642
Prefeitura de Água Azul do Norte PA 231
Prefeitura de Catanduva SP 118
Prefeitura de Cubatão SP Várias
Prefeitura de Guaxupé MG 215
Prefeitura de João Molevarde MG 301
Prefeitura de Paraty RJ 66
Prefeitura de Tapira MG 296
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Biblioteconomia em tempos de revolução tecnológica

‘Biblioteconomia em tempos de revolução tecnológica’ é tema de evento da Escola de Biblioteconomia que acontece até o dia 24 de setembro

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Comunicacao UNIRIO — publicado 20/09/2016 11h30, última modificação 20/09/2016

A VIII Semana de Integração dos Estudantes de Biblioteconomia promove até o dia 24 de setembro o evento ‘Biblioteconomia em tempos de revolução tecnológica’. Na programação, palestras, minicursos, apresentação de trabalhos e debates.

A abertura do evento, que ocorreu nesta segunda-feira, dia 19 de setembro, no auditório Paulo Freire, contou com a presença do reitor, Luiz Pedro San Gil Jutuca. O reitor desejou boas-vindas aos estudantes e aconselhou aos alunos a aproveitarem ao máximo o tempo na Universidade. “ Vivam a Universidade intensamente, não apenas passem por ela”, aconselhou.

Durante a Semana, ocorrerá também o Lançamento da Revista Chronos e Abertura da exposição de 100 anos da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO.

O auditório Paulo Freire localiza-se na Av. Pasteur, 458, Urca.

Confira a programação:

19/09 – Segunda-feira: Histórico da relação entre Biblioteconomia e Tecnologia

09h – Mesa de abertura
09h45 – Palestra: Histórico da relação entre Biblioteconomia e Tecnologia
“Transformações nas práticas científicas: novos desafios aos bibliotecários” – Geni Chaves
“Biblioteconomia e Tecnologias Intelectuais: perspectivas sobre a educação, atuação e qualificação profissional” – Marcos Miranda
13h30 – CineSIEB: “Uma Cidade Sem Passado” + Palestra – Lidia Freitas
13h30 – Minicurso: Inclusão Social na Economia do livro: Perspectivas Tecnológicas. – Eduardo Alentejo, Amanda Salomão e Jayme Pinho.
18h – Palestra: “A BNDigital e sua trajetória ao longo dos 10 anos” – Angela Bettencourt
19h45 – Palestra: “A natureza social da Biblioteca Digital Mundial: Herança digital para representação da memória social no ciberespaço” – Eduardo Alentejo.

20/09 – Terça-feira: Catalogar, Indexar, Classificar: A Tecnologia do Acesso.

09h – Mesa-redonda: “Catalogar, Indexar, Classificar”, com Brisa Pozzi, Ludmilla Guimarães, Joice Ennes de Souza e mediação de Tatiana Almeida.
13h30 – CineSIEB: “J.Edgar” + Palestra – Geni Chaves
13h30 – Minicurso: Competência em Informação – Marianna Zattar.
18h – Mesa-redonda: “Arquitetura da Informação”, com Claudio Ribeiro, Bruno Rodrigues e mediação de Carlos Ferreira.
20h30 – Palestra sobre Acessibilidade em Bibliotecas: Cládice Diniz

21/09 – Quarta-feira: Patrimônio, Cultura e Redes: A Tecnologia da Política.

09h – Mesa-redonda: “Patrimônio, Cultura e Tecnologia”, com Arthur Bezerra, Fabiano Cataldo e Leila Ribeiro.
13h30 – CineSIEB: “Jongos, Calangos e Folias” + Palestra – Conceição Pires.
13h30 – Minicurso: Tratamento Técnico de Coleções Especiais – Fabiano Cataldo.
18h – Palestra: “A irreversabilidade do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação: apropriação dessas tecnologias nas Bibliotecas da Fiocruz” – Mônica Garcia
19h – Palestra:”A política sindical e o estado da arte na atual conjuntura” – Helena Cristina Cordeiro
20h – Palestra: “Curadoria Digital” – Aquiles Brayner.

22/09 – Quinta-feira: Gênero, Referência e Ensinagem: A Tecnologia do Olhar.

09h – Palestra: “Big Data” – Marcos Cavalcanti.
10h30 – “Os diversos portfólios do Profissional da Informação – experiência de 40 anos de mercado” – Todeska Badke.
13h30 – CineSIEB: “Minhas tardes com Marguerite” + Palestra – Marília Amaral.
13h30 – Minicurso: Redação de Artigos Científicos – Rosale Mattos.
18h – Mesa de lançamento da Revista Chronos e Abertura da exposição de 100 anos da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO.
19h30 – Mesa-redonda: “Estudos de Gênero e Diversidade – A Tecnologia do Olhar”, com Gilda Olinto, Glenda Melo, Cristian Santos, Carlos Tuffvesson e mediação de Laffayete Alvares Jr.

23/09 – Sexta-feira: O Potencial Inovativo das TICs nas Bibliotecas e na Educação

09h – Mesa-redonda: “As mídias sociais dentro e fora da biblioteca – Educação, Inovação e Tecnologia”, com Sônia Neves, Dempsey Bragante e mediação de Márcia Feijão.
10h45 – Palestra sobre Softwares em Biblioteca – Márcia Feijão.
13h30 – Minicurso: Atualização em Representação Descritiva – Recursos: Descrição e Acesso – Elisabete Gonçalves.
18h – Palestra: “A infraestrutura do Acesso Aberto como base dos sistemas de publicação científica na era digital” – Simone Weitzel
19h30 – Mesa-redonda: “Oportunidades para empreender na área de Gestão da Informação no Rio de Janeiro”, com Daniela Spudeit, Guilma Viruez e Marcelle Rebello.
20h50 – Lançamento do livro “Empreendedorismo na Biblioteconomia”
21h20 – Plenária Final

24/09 – Sábado

09h – Oficina Lúdica de Metodologia de Pesquisa – Márcia Medeiros.
20/09 – Terça-feira: Catalogar, Indexar, Classificar: A Tecnologia do Acesso.
09h – Mesa-redonda: “Catalogar, Indexar, Classificar”, com Brisa Pozzi, Ludmilla Guimarães, Joice Ennes de Souza e mediação de Tatiana Almeida.
13h30 – CineSIEB: “J.Edgar” + Palestra – Geni Chaves
13h30 – Minicurso: Competência em Informação – Marianna Zattar.
18h – Mesa-redonda: “Arquitetura da Informação”, com Claudio Ribeiro, Bruno Rodrigues e mediação de Carlos Ferreira.
20h30 – Palestra sobre Acessibilidade em Bibliotecas: Cládice Diniz

Fonte

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O bibliotecário da presidente: primeiro dia de trabalho

Segunda-feira, no dia 7 de julho de 2014, as 8 horas da manhã, minha aventura como bibliotecário da presidente teve seu início no Palácio da Alvorada. Cláudio deixou bem claro que eu não podia me atrasar. Cheguei um pouco antes para garantir. Já com o meu crachá, passei pela portaria, cumprimentei os soldados que não responderam. Protocolo militar pensei. Depois descobri que era só antipatia mesmo.

Ao entrar na biblioteca, Dilma já estava me esperando. Antes mesmo de cumprimenta-la recebi um “Bom dia!” em alto e bom som. Respondi e sentei na frente da presidente para receber as ordens do dia.

-Valentim, eu quero que você faça o seguinte: monitore tudo que sair sobre mim nas redes sociais, portais de notícias e blogs. Quero que você monitore os comentários e faça uma análise técnica de todas essas informações e me apresente relatórios semanais e mensais. Nós vamos nos reunir quatro vezes por semana para você me apresentar esses relatórios.

– Sem problemas. Já existe um modelo ou eu posso apresentar o meu?

– Fale com o Cláudio sobre isso. Preciso ir, bom trabalho!

E foi assim, depois dessa reunião que durou cerca de 2 minutos, que meu dia começara. Dilma se retirou da biblioteca. Minha primeira reação foi pensar em como eu poderia fazer essa análise técnica da melhor forma possível. Logo de cara veio algumas ideias na minha cabeça como inteligência competitiva, taxonomia, ontologia e indexação. Em segundo lugar, liguei para o Cláudio para contar o que tinha acabado de discutir com a presidente e pedir orientações.

Falando com Cláudio pelo telefone, pude entender melhor o contexto da situação. Ele me perguntou:

– Você faz ideia do por que dessa demanda da presidente?

– A presidente está tentando se reeleger, por isso ela precisa dessas informações.

– Exatamente! Você vai ter que propor um modelo relatório e ela vai moldando-o de acordo com as necessidades dela. Mostre-me seu primeiro relatório antes de apresentá-lo para eu dar um feedback.

– Um abraço.

Desliguei o telefone e comecei a fritar de tantas ideias. Estava a beira de uma crise de ansiedade. Fiquei com medo de não conseguir entregar os relatórios ou de entregar e a presidente considerar insatisfatório. Mesmo com toda essa insegurança decidi começar o trabalho. Tentei pensar em uma metodologia, mas confesso que a primeira coisa que eu fiz foi colocar Dilma Rousseff entre aspas no Google.

Lembro que a primeira notícia que apareceu era sobre uma pesquisa de boca de urna do ibope, que mostrava que a Dilma estava com 38% das intenções de voto e em segundo lugar estava o Aécio, com 23%. Na hora pensei, não é isso que ela quer, provavelmente ela tem uma equipe gigante trabalhando esses números com ela. Fui no Facebook, Twitter, Youtube e nos blogs de alguns colunistas. Milhares de comentários e notícias, como eu ia organizar toda aquela massa de informação em um formato que agradasse a presidente?

Fui estudar aquelas ideias que eu tive logo após a reunião com a presidente. Como a Ontologia podia me ajudar? Comecei pela Wikipédia:

Ontologia (do grego ontos “ente” e logoi, “ciência do ser”) é a parte da metafísica que trata da natureza, realidade e existência dos entes. A ontologia trata do ser enquanto ser, isto é, do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres que gosta de estudar. A aparição do termo data do século XVII, e corresponde à divisão que Christian Wolff realizou quanto à metafísica, seccionando-a em metafísica geral (ontologia) e as especiais (Cosmologia Racional, Psicologia Racional e Teologia Racional). Embora haja uma especificação quanto ao uso do termo, a filosofia Contemporânea entende que Metafísica e Ontologia são, na maior parte das vezes, sinônimos, muito embora a metafísica seja o estudo do ser e dos seus princípios gerais e primeiros, sendo portanto, mais ampla que o escopo da ontologia.

Ótimo, o “ser” a ser estudado era a presidente Dilma Rousseff. Mas isso ainda não me ajudava, então continuei lendo:

O conceito de ontologia originou-se na Grécia Antiga, tendo ocupado as mentes de Platão, Aristóteles e Parmênides. O mais antigo registro da palavra ontologia é o latino ontologia, que surgiu em 1606, no trabalho Ogdoas Scholastica, de Jacob Loard (Lorhardus), e em 1613 no Lexicon philosophicum, de Rudolf Göckel. Por ontologia, portanto, entenda-se o estudo do ser enquanto ser, suas categorias, princípios e essência.

Estava melhorando, como bibliotecário, organização da informação por categorias fazia muito sentido pra mim. Eu poderia dividir o assunto “Dilma Rousseff” por categorias. Fui ler alguns artigos científicos e encontrei uma definição que acabou me ajudando muito dali em diante:

O objeto de estudo da ontologia é o estudo das categorias de coisas que existem ou podem existir em algum domínio. O produto deste estudo, conhecido como ontologia, é um catálogo dos tipos de coisas que se admite existir em um domínio do interesse D da perspectiva de uma pessoa que use uma língua L com a finalidade de falar sobre D. Os tipos na ontologia representam os predicados, os sentidos da palavra [termo], ou os tipos de conceito e relação da língua L quando usados para discutir tópicos no domínio D. Uma lógica não interpretada é ontologicamente neutra: Não impõe nenhuma restrição ao assunto ou à maneira em que o assunto é caracterizado. Por si só, a lógica não diz nada sobre qualquer coisa, mas a combinação da lógica com uma ontologia fornece uma língua que pode expressar relacionamentos sobre as entidades no domínio de interesse (Sowa, 1999, p. 12 – http://www.jfsowa.com/ontology/ontoshar.htm)

Resumindo: eu ia estudar o “domínio” Dilma Rousseff. Próximo passo: como fazer isso? Na teoria era fácil, mas na prática o buraco era mais embaixo. Eu precisava dimensionar o tamanho do meu trabalho. Dependendo desse volume de trabalho eu poderia pedir um estagiário. Um profissional de Ciência da Computação se encaixaria bem no perfil que eu estava pensando.

Essas leituras levaram o dia todo, e ainda faltavam Taxonomia e Indexação pra estudar. Faltando cerca de uma hora para acabar meu horário, que era de 6 horas por dia, eu liguei para o Cláudio. Queria saber com ele se era possível contratar uma pessoa de Ciência da Computação para me ajudar na missão que a Dilma havia me passado. A resposta dele foi simples e direta:

– Faça o que for preciso!

– Beleza, vou começar as entrevistas amanhã mesmo.

– Procure o recursos humanos da Presidência, fale com a Adelaide, ela vai te ajudar no processo.

– Ok, obrigado, Cláudio.

Com o tempo fui descobrindo que minha jornada de trabalho diária seria muito mais do que 6 horas. Como era um trabalho novo pra mim, sabia que ia ter q estudar muito para fazer um bom trabalho. Senti-me motivado pelo desafio e resolvi encarar da melhor forma possível. Eu estava determinado a impressionar a presidente.

Saindo do Palácio do Alvorada, Fernanda me liga:

– E ai? Vamos lá na livraria do seu amigo?

– Oi Fernanda! Estou acabando de sair do Palácio.

– Como foi o primeiro dia de trabalho?

– Ótimo, estou cheio de ideias! Queria conversar com você sobre elas.

– Claro, hoje estou tranquila de serviço. Quando você pode?

– Vamos nos encontrar na minha casa, é bom que você conhece! Estou indo pra lá agora.

– Combinado, nos encontramos lá.

 

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