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Fevereiro 4, 2016

Bibliotecários e a Lei 10.639/2003

Biblioteca é um espaço democrático e deve ter representatividade de todos aqueles que fazem parte da história desse país. Na hora de escrever o regimento interno da biblioteca, a política de desenvolvimento de coleções, ao formar o acervo, nas atividades culturais, enfim, tudo que envolve a biblioteca pública e escolar, lembrem-se da lei 10.639/2003.

A lei nº 10.639 de 9 de janeiro de 2003 altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providência

Com a palavra, Wander Filho Pavão

Não é de hoje que provoco nossa classe a se manifestar sobre a lei 10.639/2003 e o ensino de história africana e afro-brasileira nas escolas. Não por acaso, minha monografia de conclusão de curso ter sido sobre o tema.

Tudo bem, sou militante negro desde sempre, podia-se esperar isso de mim. Mas é no mínimo uma contradição homérica, a classe que prega a bibliodiversidade, entre outros valores “democráticos”, não ter praticamente nada, repito, praticamente NADA de manifestações a cerca desse tema. E não é de hoje, a lei é de 2003.

Enquanto vociferamos que as bibliotecas escolares precisam ter um bibliotecário atuando em suas dependências, em 13 anos de legislação e intenso debate nacional, não temos praticamente NADA de estudos, manifestos, declaração de nossas organizações, ofício, nota de rodapé, nada!

As palavras da bibliotecária negra Vanessa Florargen no artigo da Revista Biblioo, trazem alívio e representação, mas me relembram o ensurdecedor silêncio de uma classe que em pleno 2016 faz vista grossa para o apartheid racial, bibliográfico e informacional deste país. Até quando? Como informação nunca é demais, super indico a leitura da colega Vanessa.