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Breve história da teoria da classificação - Portal do Bibliotecário
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fevereiro 25, 2016

Breve história da teoria da classificação


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Provavelmente só após 1491, quando o humanista e poeta italiano Angelo Poliziano publicou seu “Panepistemon”- um plano destinado não a ser o esboço de um texto mas a mostrar esquematicamente as relações entre as ciências ou áreas do conhecimento – é que realmente foi iniciado o “movimento” de elaboração de sistemas de classificação.

Angelo Poliziano

Esta arte de elaborar sistemas, com alguma ideia intuitiva sobre divisões, prioridades no arranjo – primeiramente hierarquias e subordinações e finalmente “auxiliares”- era tida como teoria da classificação até muito recentemente.

Passos preliminares para uma nova abordagem

Ampère, no prefácio de sua classificação de 1834-1843, escreveu:

“Já há algum tempo eu compreendera que, ao tentar determinar as características distintivas para a definição e classificação das ciências, é necessário considerar não só a natureza dos objetos à qual eles se relacionam, também os pontos de vista sob os quais esses objetos podem ser considerados…”

Os pontos de vista sob os quais pode-se considerar uma certa área de conhecimento relacionada com seu objeto receberam portanto posições especiais nas subdivisões de seu plano.

Em seu sistema final de classificação (publicado primeiramente em 1935, e revisto e ampliado em 1940-1953), Bliss mostrou os diferentes aspectos de cada área também de forma diagramática (de acordo com os pontos de vista filosófico, científico, histórico e tecnológico/artístico. Apesar disto, ele geralmente re-arrumava as áreas, apresentadas bi-dimensionalmente, na maioria das vezes em apenas um nível hierárquico, visando à brevidade e a uma arrumação mais fácil dos livros nas estantes.

Sua contribuição real para a teoria da classificação foi ter posto a classificação bibliográfica novamente em contacto mais estreito com os princípios filosóficos da classificação, por exemplo, com os fundamentos conceituais da formação, divisão e partição de classes.

Ranganathan, pai da Moderna Teoria da Classificação

A teoria da Classificação dos dois Pontos, tal como foi apresentada em seu famoso livro “Prolegomena to library classification” ocorreu quatro anos após a publicação da primeira edição da Classificação dos Dois Pontos, que havia sido desenvolvida apenas a partir de bases intuitivas. Agora, Ranganathan formula regras, enuncia cânones e postulados a partir dos quais extrai seus princípios e lança seus chamados “processos” para a formação de representações de conceitos em nível teórico.

A abordagem ranganathiana da classificação era pois completamente diferente de todas as anteriores. Embora já se pudesse perceber uma abordagem analítica e combinatória nos sistemas de Dewey (especialmente através da influência determinante na CDU de P. Otlet e H. La Fontaine), de C. A. Cutter (1837-1903), de J. D. Brown (1861-1914) e de H. E. Bliss, o sistema de Ranganathan diferia dos outros, sobretudo pelo fato de que ele não usava classes pré-estabelecidas e prontas às quais os títulos tinham de ser relacionados, mas criava classes de livros somente no momento em que um livro era analisado segundo os elementos conceituais de seu assunto, e sintetizado segundo as regras das fórmulas de facetas ligadas às disciplinas. Mas isso significa também que o número de classes gerado por esse sistema pode ser igual ao número de livros da biblioteca, se sua coleção for suficientemente diversificada, pois dois livros somente podem ser considerados como pertencentes a uma só classe se sua síntese for igual.

Quais são os três pontos que podem ser considerados como sua maior contribuição à moderna teoria da classificação?

Em primeiro lugar, Ranganathan introduziu três níveis distintos baseados nos quais trabalham os classificacionistas (que elaboram sistemas de classificação) e os “classificadores”. Estes níveis são:

  • o chamado “plano da idéia” – nível das idéias, conceitos
  • o “plano verbal” – nível da expressão verbal dos conceitos (que podem variar segundo a lingua utilizada)
  • o “plano notacional” – nível da fixação dos conceitos em formas abstratas, tais como sinais (letras, números)

Essa distinção em três níveis auxiliou consideravelmente a tornar mais claro o que pode ser considerado como o objeto da ciência da classificação: é o conceito único e sua capacidade de combinação para representar o conhecimento que o homem tem do mundo que, desde Ranganathan, pode ser considerado como o elemento característico dos sistemas de classificação. Isto pressupõe a disponibilidade das expresões da linguagem natural para sua descrição (plano verbal) e utiliza notações para sua representação em uma forma semiótica.

A segunda contribuição de Ranganathan à moderna teoria da classificação é a sua abordagem analítico-sintética  para a identificação dos assuntos. Isto implica em que a classificação de cada documento exige uma análise de seu título ou um enunciado descritivo de seu conteúdo nos termos dos conceitos que formam os componentes da ciência à qual esse documento pertence. Após a análise e a orientação desses elementos nas chamadas facetas (que são representativas dos tipos de conceitos em áreas especializadas do conhecimento), é possível sintetizá-los em expressões combinatórias que formam a classe, construída analitico-sinteticamente, de um determinado tópico de documento. Tudo isso é realizado segundo as fórmulas de facetas mencionadas acima, e sua fórmula generalizada, a sequência PMEST (Personalidade, Matéria, Energia, Espaço e Tempo). Isto serviu para:

  • a representação dos assuntos, e
  • a ordenação dos conceitos de uma disciplina em classes formais, de acordo com as categorias existentes nessa disciplina.

A terceira grande contribuição de Ranganathan pode ser vista em seus 18 princípios para o arranjo de elementos das facetas de uma maneira repetível; são seus “princípios para sequência útil”. Estes princípios, muito claramente delineados, podem também ser considerados como um instrumento proveitoso para a avaliação de sistemas de classificação.

A influência de Ranganathan

Esses sistemas de classificação facetada foram elaborados com e sem formulas de facetas e de citação. Em geral, essa contribuição de Ranganathan foi considerada como um limite demasiadamente inflexível para a expressão dos assuntos. B. C. Vickery propõe uma ordem de citação padronizada que permitiu maior flexibilidade e, ao mesmo tempo, maior generalidade, e que contém os seguintes elementos:

Coisa/Parte/Propriedade/Processo/Operação/Agente

Pesquisa das relações entre conceitos

Ao se considerar as estruturas classificatórias do ponto de vista analítico – o que se tornou possível através da elaboração consciente de facetas com base em categorias de conceitos – compreende-se a necessidade de aclarar os elementos categoriais dos sistemas de classificação.

Com base em qual teoria seria possível obter melhores resultados na recuperação?

Graças à construção de tesauros e à determinação consciente de relações entre conceitos, bem como a algumas novas pesquisas sobre a teoria analítica de conceitos (28) (29), talvez possamos afirmar que atingimos hoje uma melhor compreensão da natureza dos conceitos. Essa teoria dos conceitos implica em que os conceitos são sínteses rotuladas de enunciados verdadeiros sobre objetos do pensamento: esses enunciados – asserções – levam ao reconhecimento ou à separação das características dos conceitos que também podem ser consideradas como os elementos dos conceitos. As relações entre os conceitos podem portanto ser definidas pela posse comum de certas características em conceitos diferentes. Os tão conhecidos tipos de relação, tais como:

  • relação gênero/espécie
  • relação de partição (todo/parte)
  • relação de oposição
  • relação funcional

Por conseguinte, pode-se distinguir os seguintes tipos de conceitos, de acordo com as formas categoriais últimas de suas características:

  • conceitos de relação entre objetos
  • conceitos de relação entre fenômenos
  • conceitos de relação entre processos
  • conceitos de relação entre propriedades
  • conceitos de relação entre relações
  • conceitos de relação entre dimensões,

Bem como combinações entre eles. Com essas categorias, temos à nossa disposição um instrumento intelectual para a organização de conceitos não só em uma sistematização geral dos elementos do conhecimento mas também em qualquer uma de suas áreas.

Essa teoria analítica de conceitos também torna possível a explicação das relações chamadas “paradigmáticas” e “sintagmáticas”, introduzidas por J. C. Gardin em analogia ao significado desses termos na literatura moderna (30).  As relações paradigmáticas são aquelas existentes em sistemas de classificação, e as sintagmáticas aquelas que ocorrem nas frases compostas de elementos do sistema de classificação para a descrição do conteúdo dos documentos. Esses dois tipos de relação podem agora ser compreendidos como dependentes de tipos de conceitos e de tipos especiais de relações entre esses conceitos: as relações paradigmáticas ocorrem nos conceitos de relação gênero/espécie, todo/parte e de oposição, e as sintagmáticas nos conceitos de relação funcional.

Esses dois tipos de relação podem existir não só em sistemas de classificação mas também em frases classificatórias livres ou facetadas, não estando restritos a nenhuma delas.

Pode-se facilmente observar que esses tipos de relação ocorrem na maioria das vezes em tipos especiais de conceitos; assim, a relação gênero/espécie aparece geralmente em conceitos que denotam objetos ou abstrações, embora também apareça em conceitos que denotam processos e propriedades. A relação de partição também ocorre, na maioria dos casos, em objetos, uma vez que estes podem ser separados em suas partes; naturalmente, essa relação também é aplicável em casos como o da divisão de uma área do conhecimento nas facetas que a compõem. A relação de oposição geralmente é encontrada em conceitos que denotam propriedades, e a relação funcional em conceitos que denotam ações ou processos e seus complementos necessários ou facultativos.

Este último fato, entretanto, é também a razão pela qual essa relação aparece mais frequentemente na organização sistemática de conceitos numa frase, e mais raramente nas hierarquias de uma organização paradigmática de um sistema de classificação. O número de complementos numa determinada frase, que expressem uma relação funcional, poderia ser aumentado a fim de incluir outras informações, possíveis ou necessárias, como por exemplo: condições especiais, finalidadde de uma ação, motivo de alguma coisa, agente, lugar e tempo. Geralmente, a quantidade necessária de tais complementos é determinada pela valência de um verbo especial na predicação de uma frase, de um enunciado, de um sujeito; a quantidade facultativa depende de certas circunstâncias que podem ser mencionadas para dar mais concretitude à informação em questão. Portanto, também é possível construir, sobre novas bases, a fórmula para a ordem de citação: já não é mais necessário que tal fórmula comece com o conceito mais concreto e termine com o mais geral, como por exemplo, começar com os objetos/coisas e terminar com “tempo”, considerado como “o conceito mais geral”.

Consequências necessárias da teoria conceitual esboçada

Baseados nas pesquisas descritas acima, encontramo-nos aptos a aplicar os princípios da organização de conceitos, de várias maneiras, ao reconhecimento, à construção e à utilização de sistemas de classificação. Resumindo, podemos dizer que a teoria da classificação, hoje, abrange

  • o reconhecimento do conceito como elemento material dos sistemas de classificação
  • a aplicação de uma teoria analítica de conceitos para a representação do conhecimento ou da informação.

Podemos ver pelo menos três consequências dessa nova abordagem teórica da classificação, já que podem ser utilizadas para:

  • a avaliação dos sistemas de classificação existentes;
  • a construção de novos sistemas com agrupamentos ou arranjos previsíveis;
  • a formalização de enunciados sobre o conteúdo de documentos; tais enunciados podem ser pesquisados com consistência, quer manualmente quer por computador, a partir de estruturas de sentenças pré-determináveis.

Com o auxílio da teoria de categorias de conceitos, os sistemas de classificação podem ser elaborados muito mais objetivamente do que antes. Até agora, havia duas abordagens para a construção de sistemas de classificação:

  • abordagem dedutiva – subdivisão de um universo do conhecimento em disciplinas (abordagem global). utilizada pelos sistemas gerais de classificação conhecidos até o momento;
  • abordagem indutiva – construção de sistemas de linguagens de descritores a partir de termos e seus conceitos mais genéricos e mais específicos (abordagem de elementos), que constitui os tesauros.

Ambos os tipos de abordagem são altamente sujeitos à subjetividade, uma vez que tanto a subdivisão de um universo como a determinação de termos genéricos, específicos e relacionados dependem muito do conhecimento das pessoas e dos objetivos variáveis de um sistema de informação. Entretanto, uma terceira abordagem – relacional – parte de um aspecto formal, de um aspecto categorial. Um sistema baseado na abordagem relacional é fácil de ser construído, reconhecido e utilizado.

Pesquisa e desenvolvimento futuros em classificação

Novas pesquisas deveriam agora ser orientadas para:

  • análises de conceitos, especialmente combinação de conceitos;
  • análises de valência dos verbos nas diferentes línguas e em diferentes áreas do conhecimento, que resultem no estabelecimento de fórmulas para ordem de arquivamento e de citação;
  • tipologia das estruturas de frases classificatórias;
  • comparações entre conceitos com o auxílio de definições, inclusive problemas de estrutura e de estruturação de definições;
  • metodologia para o estabelecimento de tabelas de correlações entre conceitos em diferentes áreas do conhecimento; estrutura de léxicos intermediários;
  • determinação de estruturas sintáticas notacionais para a formação de representações expressivas de conceitos, juntamente com seus complementos necessários e facultativos;
  • identificação de problemas organizacionais e relacionados com os usuários, na apliação de enunciados e elementos classificatórios; quais os casos em que se necessita um acesso mais genérico, ou mais apurado, ou o mais preciso possível?

Além de trabalhos mais avançados na pesquisa de classificação, dever-se-ia desenvolver uma nova consciência geral das potencialidades da classificação sobretudo no interesse da economia não só intelectual como também material.

Fonte

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