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Fevereiro 1, 2018

500 novas vagas em Biblioteconomia

Com um déficit imenso de bibliotecários atuando em bibliotecas escolares no Rio Grande do Sul e a missão de resolver o problema até 2020, o Estado contará, a partir do ano que vem, com cerca de 500 novas vagas no curso de graduação em Biblioteconomia. Hoje, em torno de 100 profissionais se formam na área anualmente, o que não dá conta da demanda, especialmente no Interior.

Biblioteconomia e legislação

Em reportagem publicada ontem, o Jornal do Comércio mostrou que apenas 28 das 2.545 escolas estaduais gaúchas têm bibliotecários. A Lei nº 12.244/2010, conhecida como Lei das Bibliotecas Escolares, prevê que toda instituição de ensino no Brasil tenha uma biblioteca escolar e, em cada uma, haja um bibliotecário como responsável. O prazo para a implantação da legislação é de dez anos, ou seja, termina em 2020. Por isso, o Estado precisará correr contra o tempo para se adequar em menos de três anos.

Segundo o coordenador em exercício da Comissão de Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Rene Faustino, a categoria tem um grande problema com o governo estadual. “O governo federal tem essa preocupação, tanto que sempre há bibliotecários nas universidades, e temos o Conselho Federal de Biblioteconomia, que rege que toda a biblioteca deve ter um profissional. Já no Estado, temos essa dificuldade, até pelos baixos salários pagos aos bibliotecários, que acabam preferindo trabalhar em um órgão federal ou particular”, explica. Na própria Ufrgs há aproximadamente 130 pessoas formadas em Biblioteconomia empregadas.

Importância da Biblioteca Escolar

Para Faustino, a biblioteca escolar é, ainda hoje, fundamental na formação de estudantes, por incentivar a leitura e a busca por fontes confiáveis. “Infelizmente, nas bibliotecas, são colocados professores que não querem mais dar aula, o que torna aquele um lugar não atrativo, praticamente um depósito”, define.

Em média, 50 profissionais se formam por ano na Ufrgs; de 30 a 40, na Universidade Federal do Rio Grande (Furg); e entre dez e 20, na Universidade de Caxias do Sul (UCS), em formato de Ensino a Distância (EaD). A partir do ano que vem, além desses cerca de 100 estudantes, outros 500 alunos poderão ingressar em cursos a distância na Ufrgs e na Furg. Os cursos a distância são realizados nos mesmos moldes dos presenciais.. A formação, de quatro anos, será oferecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“A Lei das Bibliotecas Escolares prevê que, até 2020, todas as bibliotecas de escolas tenham um bibliotecário, então a Capes está oferecendo essas novas vagas para formar o maior número possível de profissionais. A maioria dos cursos está concentrada nas capitais, então o Interior não tem sua demanda suprida”, observa o coordenador. Cerca de 300 das vagas serão para o curso na Ufrgs, e o restante, na Furg.

Falta de leitura gera raciocínio fragmentado, dificultando a articulação de pensamentos

Conforme Rene Faustino. Hoje, a população brasileira que lê, lê muito, mas a que não lê, não lê quase nada. “Temos uma dicotomia muito grande. A concorrência com a própria internet é muito grande. Então é mais difícil fazer a criança ter uma leitura linear, com início, meio e fim, porque, na internet, a leitura é fragmentada”, avalia. A leitura fragmentada se reflete, de acordo com o professor, na articulação dos pensamentos. O aluno, por vezes, não apresenta uma linha de raciocínio completa, e sim em fragmentos.

Faustino explica que o bibliotecário tem formação para incentivar a leitura. “Ele consegue identificar temas importantes e atuais, como questões de gênero ou fake news, e selecionar os livros mais adequados sobre esses assuntos para cada faixa etária”, pontua.

Para o coordenador, dessa maneira, se incita o estudante a buscar as informações dentro da biblioteca. Considerando sua idade e seu grau pessoal de leitura. Também qualifica-se o uso das fontes de pesquisa, em um mundo tomado, atualmente, por notícias falsas.

“O bibliotecário tenta desenvolver um senso crítico na comunidade. A leitura propicia ao cidadão ter uma visão mais ampla do mundo. Fazer uma crítica à fonte. Saber o que é real e o que não é”, afirma.

Texto por Isabella Sander – (Foto: Marco Quintana-JC)

Fonte: [1]